Assistir a este filme impulsionou-me a desenterrar a memória reprimida da minha primeira ida ao cinema. Nenhum dos presentes conseguiu confirmar a 100% as minhas lembranças, mas eu tenho a ideia de que foi assim que aconteceu, talvez com um pouco de exagero infantil.
O ano era (possivelmente) 2007, e estava eu, a pequena Carolina, em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul e a primeira cidade grande que conheci e pela qual nutri desde sempre um grande amor, num centro comercial qualquer, acompanhada da minha mãe, da minha madrinha, do meu irmão mais velho e, um detalhe muito importante, do Dudu, a minha primeira paixãozinha de infância e o melhor amigo do meu irmão na data.
Com toda a sensatez de adultas acompanhadas por três crianças e que provavelmente queriam que elas ficassem de boca fechada durante pelo menos 90 minutos, mãe e madrinha compram-nos bilhetes para o cinema. O filme? Harry Potter e alguma coisa, pelas minhas contas provavelmente a ordem da Fénix. A classificação indicativa do filme? não recomendado para menores de 12 anos. A minha idade em 2007? 3 anos.
Não me lembro detalhadamente do ocorrido mas a ordem dos fatos na minha cabeça é algo como:
-Entramos na sala de cinema;
-Aparecem monstros na tela;
-Eu peço para sair da sala de cinema a chorar.
Depois da remoção de emergência, a minha mãe/madrinha (é nestes detalhes que a minha memória falha) decidiram passear comigo pelo limbo entre salas de cinema em que os sons se misturam. A história poderia perfeitamente acabar neste momento, no entanto, a próxima memória vívida que eu tenho é a de pararmos em frente a porta aberta de uma sala em que passava o grande clássico do público infantil, Ratatouille, e assistirmos ao pedacinho do filme que passava pelo vão da porta.
Este poderia ter sido um final feliz, porém, e como qualquer pessoa que tenha falado comigo duas vezes sabe, eu tenho, desde que me entendo por gente, medo, aliás medo é um eufemismo, pavor, de ratos. Dado o protagonismo desta espécie no filme Ratatouille, creio que desejei regressar aos dementadores, ou ao outro monstro X do filme do Harry Potter.
O mais interessante para mim em tudo isso é que, apesar do trauma da primeira experiência, ir ao cinema nunca deixou de ser um grande desejo e uma grande alegria.